
Resolvo ir á feira. O ambiente mostrava-se chuvoso. De um lado os pregões, de outro, o cheiro a castanhas. Já lá vai o tempo em que se comprava roupa na feira, agora, 70 por cento dos feirantes dedicaram-se à cultura cinematográfica.
Barraca sim barraca não, lá está um tendinha bem montada com tudo o que é novidade no cinema. E assim se faz negócio. Uma miúda que pede à mãe o filme da Barbie, uma mãe que procura o tão aplaudido musical da Amália, um pai que só gosta do Rambo e que acaba por não comprar. São negócios virados para a família. Vangloriem-se quem pode porque os feirantes arranjaram a sua própria estratégia de marketing.
Há de todos os tipos, com capa sem capa, mal gravados, riscados, a preto e branco, sem legendas, com anuncios, sem anúncios, Ingleses, Russos e alguns temas picantes. Mas espere, se não é suficiente venderem-lhe filmes então, não vá mais longe e deixe que lhe deêm música. Lá também a encontrará. Não do género habitual da K7 pimba mas em CD.
As capas, essas já lhes comeu os nomes o sol e lhes borrou a humidade. Mesmo assim " leve senhor que é de qualidade, este tá bom".
Finalmente chego ao SR das castanhas. - "É uma dúzia por favor"!
Em troca de um euro e meio recebo uma folha de jornal com as desejadas. A caminho de casa abro o pacote. Parece que não são só os feirantes a mudar de estratégia. No cartuxo uma dúzia de castanhas enrugadas, pequenas, negras do carvão e com alguns brinde menos higiénicos.
Nem com a honestidade do Sr das castanhas já podemos contar.
Definitivamente estamos em época de mudança.
L.P.